Domingo, Março 22, 2009

Futebol e altitude

Essa postagem vem da minha indignação em relação aos chorumingos na mídia sempre que tem um jogo de futebol na Bolívia ou no Peru. Já imaginaram que há idosos com mais de 70 anos que trabalham na lavoura e no pastoreio a 4.000 mts de altitude (às vezes até mais). As "Cholas" sobem e descem montanhas dia após dia para se sustentar e os atletas, no auge de sua força física, não podem correr 90 minutos que já estão morrendo, desmaiando.
Pois é, quem já viajou pra esses cantos sabe que a altitude influencia o nosso organismo, mas que às vezes a mídia exagera. Talvez por falta de assunto, talvez por ignorância.
Certa vez, em 2005, eu e o Edo (meu primo) encaramos a subida de uma montanha famosa perto de La Paz (Bolívia). A montanha se chama Huayna Potosí e tem 6.088 mts de altitude. Obviamente não fomos até o topo, nem ao menos tínhamos equipamento de escalada. Mas fizemos uma caminhada saindo de 4.700 mts, onde havia um abrigo, até 5.300 mts, onde iniciava o gelo. Onde quero chegar é que, mesmo não sendo atletas, pelo contrário, sedentários de carreira, "alterocopistas" orgulhosos de sua barriga, subimos sem problemas, com direito a paradas pra fumar um cigarrinho. 
Aí ligo o rádio e só ouço falar que o Grêmio vai jogar a 2.600 mts. Que vão morrer. Que estão poupando os atletas... Ah, convenhamos, 2.600 mts não é nada. Veranópolis está a 800 mts e ninguém fala nada. Se é na Bolívia ou Peru, passou de 1.000 mts os caras já estão morrendo. 
Falaram incessantemente da altitude e mesmo assim o Grêmio ganhou do Boyaca Chicó sem problemas. Agora de novo tão chorando por causa de 2.600 mts. 
Na minha opinião, para termos alguma alteração considerável no organismo, levando em conta, é claro, que se trata de um esporte que exige esforço, a partir de 4.000 mts dá pra aceitar, menos que isso não faz nem cócegas.


; ¬ ]

0 comentários: